Castelo de Lapela / Torre de Lapela
| IPA.00003523 |
Portugal, Viana do Castelo, Monção, União das freguesias de Troporiz e Lapela |
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Arquitectura militar, gótica. Torre de menagem de antigo castelo, com planta quadrangular, fachadas terminadas em parapeito ameado, de ameias de corpo estreito tronco-piramidais, com cobertura em telhado envolvido por adarve. Fachada principal com entrada sobrelevada, por portal de arco quebrado, de aduelas largas e com brasão nacional na chave, assente nos pés direitos e com chanfro, encimado por fresta. As restantes fachadas são rasgadas por três frestas sobrepostas, todas elas muito estreitas e a abrirem para o interior, onde os pavimentos são de madeira e a comunicação entre os pisos é feita por escadas também de madeira. A disposição inicial da torre de menagem no centro do conjunto muralhado, conforme representado nos desenhos de Duarte d'Armas, revela que o castelo de Lapela tinha uma organização antiga, típica dos castelos românicos, mas a estrutura existente da torre, com as frestas a abrirem amplamente para o interior, onde forma dois arcos, o exterior quebrado, é já bastante posterior, possivelmente do séc. 14, e denuncia influências góticas tardias. Segundo fotografias da primeira metade do séc. 20, a torre antes do restauro terminava em parapeito liso e não ameado. Apesar dos vários autores considerarem o escudo existente no fecho do portal como sendo o brasão usado por D. Fernando, a disposição dos escudetes mostra ser posterior, visto estes só surgirem todos de pé depois da reforma das armas, em 1436. |
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Número IPA Antigo: PT011604090002 |
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Registo visualizado 1361 vezes desde 27 Julho de 2011 |
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Edifício e estrutura Edifício Militar Castelo
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Descrição
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Planta quadrangular, de massa simples, de tendência verticalista e cobertura em telhado de quatro águas, em telha de aba e canudo, assente em corpo quadrangular, de três fiadas, criando adarve circundante, acedido por vão de verga recta. Fachadas em cantaria aparente, de aparelho "vittatum", possuindo inferiormente embasamento saliente e terminando em parapeito ameado, de ameias de corpo estreito tronco-piramidais. Fachada principal virada a N., rasgada num plano sobrelevado, a cerca de 10m do solo, por portal de arco quebrado, de aduelas largas, sobre os pés-direitos, a apresentando chanfro; na aduela central, integra brasão de formato nacional, com as armas de Portugal, com os cinco escudetes postos na vertical e bordadura de 11 castelos. É precedido por plataforma quadrangular assente em três mísulas recortadas, acedido por escada de ferro com guarda do mesmo material. No registo superior rasga-se seteira estreita. Fachadas laterais e posterior rasgadas por três seteiras sobrepostas, também muito estreitas. INTERIOR de quatro registos, o terceiro mais baixo, com paredes em cantaria aparente, apresentando as frestas a abrirem para o interior, criando duplos arcos, bastante amplos, o exterior sensivelmente apontado. Pisos com pavimento em tabuado de madeira assente em mísulas de cantaria, e com comunicação através de escadas de madeira, que no segundo registo possui patamar intermédio formado por laje de cantaria sobre duas consolas do mesmo material. No último registo, o forro do tecto e o respectivo travejamento de madeira, à vista, assente em cornija e mísulas. |
Acessos
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Lapela, Travessa do Castelo; Largo do Castelo. WGS84: 42º03'23.03''N., 8º32'17.10''O. |
Protecção
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Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910 |
Enquadramento
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Rural, borda d'água, implantação destacada. Ergue-se na margem esquerda do rio Minho, na proximidade do mesmo, sobre maciço rochoso, no meio do lugar, sobranceiro ao casario envolvente, composto por casas de arquitectura vernácula, algumas destoantes. Junto à fachada S. erguem-se vários espigueiros, de corpo estreito, de planta rectangular e paredes aprumadas, apresentando pés, mós, mesa, colunas e padieiras em granito, ripado vertical de madeira, cobertura em telhado de duas águas, com portas abertas nos topos; alguns estão em mau e um só possui erguidos os pés e as mós. |
Descrição Complementar
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Utilização Inicial
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Militar: castelo |
Utilização Actual
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Cultural e recreativa: marco histórico-cultural |
Propriedade
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Pública: Estatal |
Afectação
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Sem afectação |
Época Construção
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Séc. 14 (conjectural) |
Arquitecto / Construtor / Autor
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EMPREITEIRO: Viriato Alves Neiva (1978). FIRMA António Alfredo Rodrigues Carvalhido (1990). TAREFEIROS: Aires Ferreira (1936 - 1938); Júlio Gonçalves (1936 - 1938). |
Cronologia
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1130 - Construção de um primitivo castelo, por Lourenço de Abreu, Senhor do Couto e torre de Abreu, em Meruje, por ordem de D. Afonso Henriques; 1208 - repovoado por D. Sancho I; séc. 14 - construção da torre de menagem, durante o reinado de D. Fernando I, sendo seu 1º alcaide Vasco Gomes de Abreu; séc. 15 - D. João I concedeu torre de Lapela a Vasco Fernandes Pacheco, visto este ter-lhe doado Monção em 1423; a doação foi depois resgatada pelo doador, por 1.500 libras; séc. 16 - carta para Lapela ser couto de homiziados; 1658, 30 Setembro - D. Rodrigo Pimentel, Marquês de Viana, sitiou o castelo; 5 Outubro - Governador Gaspar Lobato de Lanções rende-se; foi guarnecido por tropas galegas; 1668 - o castelo volta à posse dos portugueses; 1671 - o rei, ao contrário do parecer de Michel Lescole, decide conservar o castelo de Lapela e o de Castro Laboreiro; 1677 - o alcaide-mor Francisco Vieira Guedes solicita a nomeação do seu filho Pedro Vieira Guedes para o lugar; 1706 - D. João V ordena a demolição das muralhas e do castelo, para aproveitar os materiais na construção das obras de defesa na Praça de Monção; 1709 - a Câmara afora o terreiro e assento do castelo; 1755, 1 Novembro - não padeceu ruína durante o grande terramoto; 1758, 12 Maio - o Pároco João Alvares Manhozo refere nas Memórias Paroquiais que em Lapela existira outrora um castelo ameado, com seus grandes muros, fossos e estacadas, com quartéis e armazéns e, "místicos com dois muros" um outro pequeno "castelo" alicerçado no rio Minho, por dentro do qual se ia buscar, sem perigo, a água necessária para a praça; considerava-o, por isso, um edifício singular na província, de que foram alcaides-mores os Senhores de Regalados; posteriormente, devido aos avanços dos artifícios militares, e porque não "podia defender-se por estar condenado de muitas eminências que à roda tinha", foi desfeito para se fortificar a praça de Monção, ficando apenas a torre, a que chamavam Varanda do Castelo; sobre a única porta que tinha a torre, já existia um escudo com as armas do reino; 1814, 16 Fevereiro - carta de Manuel de Brito Mouzinho sugerindo que, para a boa defesa da Praça de Valença e arranjo da guarnição, se mandasse construir algumas casamatas em continuação das 2 casernas das Portas do Sol, o que não seria de grande despesa se nela se aplicasse a pedra da torre de Lapela, situada a légua e meia, e que se achava "muito arruinada, e inútil para outro algum fim"; 1835 / 1836 - queda de raio sobre a porta, desconjuntando algumas pedras, abrindo fendas nos muros, permitindo o crescimento de loureiros e oliveiras no cume; 1860 - demolição do resto do castelo, devido à Vereação da Câmara de Monção ter requisitado as pedras para calcetar algumas ruas; séc. 20, meados - fotografias da época, mostram a torre com as fachadas terminadas em parapeito liso; 1943 - cedência a título precário da chave da torre aos Serviços da Direcção-Geral de Marinha com a condição de mantê-la sempre limpa e acompanhar os turistas nas visitas ao Monumento. |
Dados Técnicos
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Paredes autoportantes. |
Materiais
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Estrutura de granito; pavimento em soalho, forro do tecto e escadas de ligação entre os pisos com respectivas guardas em madeira; porta de acesso à torre em madeira pintada; grades nas frestas; porta metálica de comunicação ao adarve; gatos e outros elementos de ligação do vigamento do tecto em ferro; cobertura de telha. |
Bibliografia
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ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Alto Minho, Lisboa, 1987; ALMEIDA, José António Ferreira de, Tesouros Artísticos de Portugal, Porto, 1988; ALMEIDA. João de, Reprodução anotada do Livro das Fortalezas de Duarte Darmas, Lisboa, 1943; ALVES, Lourenço, Do Gótico ao Manuelino no Alto Minho (Monumentos Civis e Militares) in Caminiana, Ano 7, vol. 12, Caminha, 1985, p. 37 - 150; CAPELA, José Viriato, Monção nas Memórias Paroquiais de 1758, Braga, 2003; CASTRO, Alberto Pereira de, Valença na Guerra da Restauração, Valença, 1995; FERNANDES, Joaquim Martins - «Recuperação de Imóvel histórico entrou na fase de consclusão». In Diário do Minho. 16 março 2016, p. 12; GOMES, José Garção, Monção e seu Alfoz na Heráldica Nacional, Barcelos, 1969; LEAL, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de Pinho, Portugal Antigo e moderno, Lisboa, 1874; GUERRA, Luís de Figueiredo, Castelos do Distrito de Viana, Sep. de O Instituto, vol. 73, nº5, Coimbra, 1926; MOREIRA, Cor. Bastos, Torre da Lapela in Jornal do Exército, Lisboa, Abr. 1979; PERES, Damião, A Gloriosa História dos Mais Belos Castelos de Portugal, s.l., 1969; ROCHA, J. Marques, Monção. Uma Monografia, Monção, 1988; VIEIRA, José Augusto, O Minho Pittoresco, vol. 1, Lisboa, 1886. |
Documentação Gráfica
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IHRU: DGEMN/DREMN, DGEMN/DSID |
Documentação Fotográfica
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IHRU: DGEMN/DREMN, DGEMN/DSID |
Documentação Administrativa
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DGEMN: DSID; AHM: Fortaleza de Valença, 3ª Divisão, 9ª Secção, Caixa 9, 10, 11; IAN/TT: Casa do Infantado - Comarca de Valença, Mç. 1109 |
Intervenção Realizada
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DGEMN: 1936 / 1937 / 1938 - obras de restauro da torre pelos tarefeiros Aires Ferreira e Júlio Gonçalves: construção e assentamento de 20 ameias piramidais; armação do telhado de madeira de eucalipto e forro de pinho; lajedo de cantaria no adarve; feitura do soalho em pinho e escada de pinho; colocação de porta exterior de castanho; 1939 - estimativa para a conclusão das obras que incluía consolidação de alicerces, travejamento de madeira de castanho e soalho de pinho, escada exterior de acesso, entaipamento de rasgos, apeamento de construções encostadas à torre; 1942 - conclusão das obras interiores de restauro: feitura de escadas de comunicação entre os pisos; colocação de pára-raios; 1978 - substituição da escada de acesso por uma de ferro; reparação e pintura da porta de acesso e do pavimento interior ao nível da mesma; colocação de caixilhos com rede nas frestas; limpeza, corte e arranque de vegetação e conservação da cobertura pelo empreiteiro Viriato Alves Neiva; limpeza da vegetação e conservação da cobertura; 1990 - instalação eléctrica e ligação à rede de iluminação pública pela firma "António Alfredo Rodrigues Carvalhido"; obras de conservação pela firma "António Alfredo Rodrigues Carvalhido": reconstrução do telhado com telha romana, isolamento do forro da cobertura, limpeza do musgo, arranque de vegetação e tomação das juntas, arranque de soalho apodrecido e colocação de novo, limpeza, repregamento e enceramento de todos os soalhos, construção de portinhola de madeira, pintura das portas; CM MONÇÂO: 2016 - conclusão dos trabalhos de reabilitação da torre, orçados em c. de 70 mil euros, financiada pelo Programa de Valorização e Qualificação Ambiental, pelo eixo do "Património Cultural"; beneficiação do pavimento envolvente e colocação de madeira nos espigueiros existentes junto à torre. |
Observações
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Segundo os desenhos de Duarte D'Armas, o castelo da Lapela teria, por volta de 1506, planta rectangular irregular, com face curva a SE., onde torre quadrada reforçava a muralha circundante, a qual era ladeada por balcão. Interiormente, o castelo surgia subdividido em várias zonas por muros; a O. tinha duas torres quadradas, com 12 varas de altura, telhadas, a da direita com dois vãos, as quais eram interligadas por muro disposto a E., pertencente a residência de dois sobrados, rasgada por vários vãos, sobre grande arco de passagem, que comunicava com as torres, possuindo muro que se interligava a SE. à muralha do castelo, e muro prolongado à direita a partir do qual se ligava à torre de menagem, talvez por passadiço superior. A torre de menagem, também conhecida por "Torre da Vara", tinha 22 varas de altura, as fachadas rasgadas por três seteiras sobrepostas, era telhada e bem madeirada e possuía escadas de acesso ao adarve a E.. Pelo desenho representando o castelo por E., parece existir uma torre albarrã junto ao rio Minho que, apesar de não ser desenhada na planta do mesmo, é referida nas Memórias Paroquiais de 1755 como um outro pequeno castelo, de modo a ir-se buscar água para a Praça militar em segurança. |
Autor e Data
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Paula Noé 1992 / 2007 |
Actualização
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